No mundo inteligível desse ciberespaço, quanto mais rápido e mais cliques, melhor será para o algoritmo entender, inflar o ego e as bolhas do avatar que divulgou, compartilhou, informou, influenciou, opinou ou sei lá mais o quê. Afinal, nas redes sociais é muito fácil ser especialista de qualquer coisa, desde medicina, finanças, política, jornalismo e por aí vai. Sou muito ignorante para conseguir descrever as muitas outras profissões de especialistas sociais. Enfim, é como dizem, “é só rolar pra cima e pra baixo”. Tudo bem sedutor, fácil e manipulável. E quando você vai ver, sua pequena olhadinha virou perder muito tempo. Bem ali, com seus olhos na tela.
Mas tudo bem. Esse é o futuro. Mas, qual futuro? O futuro de tocar apenas no celular para ler, escrever ou compartilhar mensagens? Ainda lembra como é tocar e escrever à caneta? Sabe diferenciar o cheiro do papel jornal, da folha de sulfite ou do livro novo do velho? Desculpa, estou falando de coisas arcaicas para o mundo evoluído e tecnológico de nossas vidas. Então, que tal pensar em como anda seu cérebro? Esquecendo quase tudo? Ah, deve ser pelo uso excessivo do álcool, de alimentos industrializados, da falta de exercícios, mas jamais do uso constante do celular.
Acho que o arcaico cérebro está perdendo suas forças sensoriais, cognitivas e tudo mais de potente que poderia ser usado. Afinal, usar ele pra quê se tem tudo aí pra facilitar nossas vidas? Que a tecnologia veio para ajudar, isso é fato, todas vieram, mas já está cada dia mais nítido: deixar de usar, de forçar um pouquinho a mente, traz grandes prejuízos. Faça uma pesquisa sem usar o controle de voz sobre o assunto que irá entender quão grave é deixar de pensar. Nessa vida contemporânea, quem tiver castelo de areia não sobreviverá ao se deparar com fortes tempestades da vida real.
E pensar é apenas para os fortes.
