Ilustração/Dias

Para quem me conhece, sabe que não sou muito de falar, mas não posso ficar quieto diante de um fato. A FUNDACC lançou neste ano alguns editais de 2025. Turbulentos por sinal com suas mudanças nos cronogramas. Participei de 2. O edital 51/25 de apoio direto a projetos e 52/25 de premiação por trajetória artística e cultural. O resultado provisório já me espantou. No de trajetória, vi fazedores de cultura conceituados no litoral e mestres reconhecidos nacionalmente muito abaixo na classificação. E quando entraram com recurso, claro, indeferido. No edital de apoio direto a projetos, fui o único a tirar nota 0. Entrei com recurso “o projeto possui: proposta cultural estruturada, justificativa, objetivos, cronograma, orçamento e documentação obrigatória. O projeto consiste na produção de uma história em quadrinhos com personagens locais, voltada à promoção da diversidade, inclusão e valorização cultural no município, estando alinhado aos objetivos do edital e às diretrizes da política pública cultural.” Mas foi indeferido – “(…)a Comissão conclui que não foram apresentados elementos suficientes que justifiquem a alteração das notas ou da situação dos projetos, mantendo-se, em regra, as avaliações anteriormente atribuídas”.

Trabalho diretamente com jornal impresso e webjornal em Caraguatatuba desde 2014. Já participei de diversos editais e NUNCA entrei com recurso contestando minhas pontuações nas classificações, afinal, cada parecerista tem seu ponto de vista. Em dezembro de 2024, na cidade de Paraty, entrei com o mesmo projeto – SER DIFERENTE É NORMAL (Edital 03/24 – PNAB) e ficamos como suplentes (eu e minha equipe), em 29º lugar. Numa cidade que respira cultura, me senti privilegiado, no entanto, na cidade que já recebi prêmio cultural, reconhecimento caiçara, desenvolvi jornais, Livros, livretos, quadrinhos, concursos e oficinas culturais, ter uma nota 0 é presenciar uma ingratidão ao trabalho cultural até aqui desenvolvido. Ser desclassificado por não pontuar em uma das categorias é uma coisa, ser o único a tirar zero e não pontuar em nada é outra. Parece pessoal. É só ver o edital e analisar que as pontuações não batem. O que foi estipulado pra um deve ser para todos. Teve gente que pontuou e foi desclassificado. Correto, está no edital. Mas ZERAR meu projeto é dizer que não sei o que estou falando quando o assunto ‘é’ linguagens.

Bom, sou jornalista profissional, tenho especialização em Semiótica Discursiva e atualmente faço Mestrado na FFLCH – USP em Linguística, sendo a área de conhecimento em Semiótica e linguística geral. Vivo numa busca contínua de conhecimento e aprendizado para conseguir retribuir à cidade que me acolheu. Mas, nem sempre seu trabalho é valorizado. E se compararmos a cultura de Paraty com a de Caraguá? Caraguá regressa pela ingratidão ao não acompanhar as metamorfoses culturais.  Ser diferente é normal, não saber de linguagens é que está o mal. 

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